segunda-feira, 28 de maio de 2012



Anualmente nos meses de maio ou começo de junho,somos convidados à peregrinarmos ao Santuário de Aparecida, a fim de agradecermos por um mais um ano de vida do Movimento das Equipes de Nossa Senhora no Brasil, neste ano comemoramos 62 anos da sua presença em solo brasileiro.

Para nós do Setor ABC III  foi uma comemoração especial, pelo número de pessoas  que lá estiveram participando juntamente com  casais e sacerdotes de outras cidades que fazem parte da Região e da  Província Sul 1,  mantendo assim a unidade do Movimento das Equipes de Nossa Senhora.

Agradecemos as Equipes Nossa Senhora:  da Esperança, Desatadora dos Nós, Paz e Nazaré e aos seus Casais Ligação: Ana Lúcia e Francisco e Maria e Darci pelo carinho e zêlo que tiveram na organização deste evento,  a todos que lá estiveram e aos que por motivo de trabalho, escola, saúde, compromisso na paróquia, lá não puderam estar,  mas que estavam conosco em suas orações!

Deus seja louvado!

Nossa Senhora  Aparecida, rogai por nós!

Maria José e Adelino

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Queridos Casais das ENS,
 É com muito carinho que estamos enviando em anexo o Terço a ser rezado por todos que irão à Peregrinação à Aparecida e um texto para leitura sobre o Sentido da Peregrinação, texto este, escrito pelo Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro – Dom Orani João Tempesta  e também o Salmo das Subidas para leitura e meditação escrito por Côn. Henrique Soares da Costa.
Para quem irá de ônibus este material será entregue em mãos para que rezem juntos o terço e façam a leitura do texto e a meditação do Salmo.
Para quem irá de carro solicitamos que levem consigo o material e também rezem o terço e façam a leitura do texto e a meditação do Salmo.
E assim unidos em oração esperamos encontrar todos em Aparecida!
Um grande abraço,
ENS da Paz, ENS de Nazaré, ENS Desatadora de Nós e ENS da Esperança.

  Movimento de Casais por uma Espiritualidade Conjugal
Equipes Nossa Senhora - Oração do Terço
Peregrinação à Aparecida
 Jaculatórias para rezar ao final de cada mistério: Ó meu bom Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem da vossa misericórdia. Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós! Nossa Senhora Aparecida rogai por nós que recorremos a vós.

Estamos reunidos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém
Oração ao Espírito Santo: Vinde Espírito Santo enchei o coração de vossos fiéis.....

Canto:
Minha alma dá glórias ao Senhor, meu coração bate alegre e feliz.
Olhou para mim com tanto amor, que me escolheu, me elegeu e me quis.
E de hoje em diante eu já posso prever, todos os povos vão me bendizer.
O poderoso lembrou-se de mim, Santo é seu nome sem fim.
O povo dá glorias ao Senhor, seu coração bate alegre e feliz.  
Maria carrega o Salvador, porque Deus faz, Ele cumpre o que diz.
E quando os povos aceitam a lei passam de pai para filho seu dom.
Das gerações Ele é mais do que Rei, Ele é Deus Pai, Ele é bom.
Minha alma dá glórias ao Senhor, meu coração bate alegre e feliz.
Olhou para mim com tanto amor, que me escolheu, me elegeu e me quis.
O orgulhoso Ele sabe dobrar, o poderoso Ele sabe enfrentar.
 O pobrezinho Ele defenderá. Não nos abandonará.
O povo dá glórias ao Senhor, seu coração bate alegre e feliz.
Maria carrega o Salvador, porque Deus faz, ele cumpre o que diz.
Quem tem demais, qualquer dia vai ver, o que é ter fome e não ter pra comer.
Quem passa fome comida terá, eis que a justiça virá.
Minha alma dá glórias ao Senhor, meu coração bate alegre e feliz.
Meu povo já sente o seu amor. Ele promete, ele cumpre o que diz.
Aos nossos pais Ele um dia jurou. Ele é fiel e jamais enganou.
Estamos certos da era do amor, Bendito seja o Senhor.

Fazer o Sinal da Cruz
Rezar: Creio em Deus Pai; Pai Nosso; 3 Ave Marias; Glória ao Pai.

Oferecimento do Terço: Divino Jesus nós Vós oferecemos este terço que vamos rezar meditando nos mistérios da nossa Redenção. Concedei-nos as virtudes que nos são necessárias para bem rezá-los e a graça de ganharmos as indulgências desta santa devoção. Oferecemos, particularmente, em desagravo dos pecados cometidos contra o Santíssimo Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, por todas as famílias do mundo, especialmente as famílias cristãs e, particularmente as famílias das Equipes de Nossa Senhora, pela conversão dos pecadores, pela paz no mundo, principalmente nos países em guerra, pelo aumento e santificação do Clero, pelas Missões, pelos doentes, por aqueles que pediram nossas orações, por todas as nossas intenções particulares e pelo Brasil. Queremos Te agradecer e Te louvar pelo nosso lar, pela nossa família, pela nossa vida e a dos filhos, pelo sacramento que um dia recebemos na Tua presença. E hoje, com muita fé e confiança, queremos fazer dessa oração, um retiro espiritual, nos retirando da correria do dia a dia e colocando cada família da ENS da Paz no coração de Jesus.

1º mistério: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família” “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo!” (II Cor 5, 17)
Senhor Jesus, sabemos que tens o poder de tornar novas todas as criaturas. Por isso nós Te pedimos que tua mão poderosa venha curar o nosso ser, o interior de cada um de nós, nossos relacionamentos e nossa Equipe, tornando tudo novo. Que saibamos escutar a vossa Palavra, não apenas com os ouvidos, mas com o coração, para que possamos entender e seguir o que o Senhor nos quer dizer.
Rezar: Pai Nosso... 10  Ave Marias...Glória ao Pai e as jaculatórias.

2º mistério: “Feliz a família que Vos sabe louvar” “Louvai ao Senhor porque Ele é bom, porque sua misericórdia é eterna.” (Sl 135,1)

Ó Espírito de Deus, Tu que habitas dentro de nós. Tu que és o Consolador, o Deus de Amor, de sabedoria infinita, vem e conduze nossa vida, ungindo-nos com teu poder e concedendo ao nosso coração e a toda a nossa família o dom do louvor e da oração. Infunde-nos hoje, Santo Espírito, esse dom, para que possamos verdadeiramente encontrar Contigo através da meditação cotidiana. Que o Senhor Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo, seja adorado, honrado, glorificado e bendito em todas as circunstâncias da nossa vida e do nosso ambiente familiar.
Rezar: Pai Nosso... 10 Ave Marias...Glória ao Pai e as jaculatórias.

3º mistério: “Jesus tem piedade de mim e da minha família” “O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!” (Lc 18,13)
Jesus, neste momento, nós nos achegamos a Ti, fica conosco, tem piedade de nós e de nossa família. Por intercessão de Maria, sob o título de Nossa Senhora da Guia, queremos pedir o Teu perdão Senhor, por todas as vezes que temos contribuído, mesmo sem querer, para que em nossa família não haja paz, compreensão, unidade e acolhimento. Quebranta nosso coração e dá-nos um coração novo, cheio de amor, perdão, paz, alegria e da tua presença. Concede-nos, e também à nossa família, a experiência profunda da oração conjugal e familiar.
Rezar: Pai Nosso... 10  Ave Marias...Glória ao Pai e as jaculatórias.

4º Mistério: “A cura através do perdão para você e sua família” “Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, Vosso Pai Celeste também vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará.” (MT 6, 14-15)
Ó Senhor Jesus, verdadeiramente não sabemos o que fazemos. Quanto pecado instalado em nosso coração, quanto rancor, amargura, ressentimento, mágoa, inclusive daqueles que mais temos de amar: esposa, esposo, filhos, pai, mãe. E Tu nos dás o teu perdão. Hoje, queremos propor uma regra de vida. Queremos juntos, esposo e esposa, assumir de maneira concreta o projeto de amor que Tu tens para cada um de nós. Ajuda-nos a não desanimar e a perseverar em busca da santidade conjugal.
Rezar: Pai Nosso... 10  Ave Marias...Glória ao Pai e as jaculatórias.

5º mistério: “Deveres recíprocos dos esposos - sejam submissos uns aos outros no temor de Cristo.” (Ef 5, 21)
Pai eterno ajuda-nos a nos revelar um ao outro. No silêncio do nosso coração só Tu habitas, mas queremos que o nosso cônjuge também o conheça. Ajuda-nos ó Pai, a manifestar nossos sentimentos com sinceridade para um melhor conhecimento e ajuda mútua.
Ajuda-nos a sermos perseverantes no Deve de Sentar-se, para assim fazermos um balanço do passado, analisar nossa vida conjugal e familiar, fazer projetos para o futuro e revermos nossos ideais e sonhos.

Agradecimento a Deus: “Abençoe sua família em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” “... abençoai, pois para isto fostes chamados, para serem herdeiros da bênção”. (I Pd 3, 9b)
Pai querido, nós Te amamos muito e queremos Te agradecer pela tua bênção, porque Tu és nosso Pai de Amor e nos reconcilias Contigo através de Jesus Cristo Nosso Senhor. Tua Palavra nos diz que devemos abençoar para que sejamos herdeiros da bênção. E nós abençoamos Pai, nosso cônjuge, nossos filhos, nossa casa, pais, irmãos, parentes, amigos da nossa Equipe e todos os familiares. Abençoamos todos os momentos da nossa vida conjugal, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença. Abençoamos em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. E nós Te pedimos Pai eterno, que com esta bênção divina e em nome de Jesus Tu mantenhas nosso amor sempre vivo e nosso casamento sempre jovem. Deus, nosso Pai, nós Vos louvamos e agradecemos por Vosso Filho Jesus, na comunhão do Espírito Santo. E, pela intercessão de Nossa Senhora, pedimos a vossa bênção e proteção para nossas famílias. Dai-nos a graça da perseverança na fé e concedei-nos colher frutos de amor, perdão, alegria e paz. Amém!

Agradecimento à Nossa Senhora- Infinitas graças vos damos Soberana Rainha pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossas mãos liberais. Dignai-vos agora e para sempre. Tomai-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos agradecer vos saudamos com uma Salve Rainha.
Salve Rainha mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa Salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva, a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai a Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce, sempre Virgem Maria. Rogai por nós Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

Bênção Final– Estivemos e sempre estaremos reunidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
  Amém!

O SENTIDO DA PEREGRINAÇÃO
A peregrinação tem um sentido eclesial e de fé. Sua prática relembra a peregrinação do povo hebreu por 40 anos em busca da terra prometida, onde corre leite e mel. O êxodo desse povo prefigura a vida do cristão em busca da pátria celeste. E, assim como o povo eleito no longo caminho para a libertação foi aos poucos se purificando dos vícios adquiridos no exílio, com essa motivação o cristão em uma peregrinação deve aproveitar como uma oportunidade de purificação e de reconciliação com Deus, renovando sua vida, como, aliás, ficou muito bem claro no Documento de Aparecida: “Destacamos as peregrinações onde é possível reconhecer o Povo de Deus no caminho. Ali o cristão celebra a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera. O próprio Cristo se faz peregrino e caminha ressuscitado entre os pobres. A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor. O olhar do peregrino se deposita sobre uma imagem que simboliza a ternura e a proximidade de Deus. O amor se detém, contempla o silêncio, desfruta dele em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera, que flui confiadamente, é a melhor expressão de um coração que renunciou à autossuficiência, reconhecendo que sozinho nada é possível. Um breve instante sintetiza uma viva experiência espiritual”.
Para nos abrirmos mais ao mistério desse edificante momento mariano e, ao mesmo tempo, cristológico, que é nossa peregrinação desde o Rio de Janeiro, sob as vistas do Cristo Redentor, até Aparecida, a Casa da Mãe, devemos em primeiro lugar nos dispormos a colher os frutos salutares ao nosso amadurecimento na fé e nosso crescimento na espiritualidade. É um momento especial em nossa caminhada de povo de Deus rumo à perfeição. Na meditação das virtudes de Maria e confiantes na intercessão de suas prerrogativas, abrimo-nos à graça do Espírito Santo e sentimos o impulso à obra missionária que compete a todo cristão. Para isso foi que pedimos ao nosso povo para que, através dos círculos bíblicos ou nas pequenas comunidades, se preparassem para tal evento.
Essa peregrinação, reportamo-nos novamente ao Documento de Aparecida que nos acena sobre a importância deste evento. “A presença cotidiana e cheia de esperança de incontáveis peregrinos nos lembra os primeiros seguidores de Jesus Cristo que foram ao Jordão, onde João batizava, com a esperança de encontrar o Messias (cf. Mc 1,5). Eles se sentiram atraídos pela sabedoria das palavras de Jesus, pela bondade de seu trato e pelo poder de seus milagres. E pelo assombro inusitado que a pessoa de Jesus despertava, acolheram o dom da fé e vieram a serem discípulos de Jesus. Ao sair das trevas e das sombras da morte (cf. Lc 1,79) a vida deles adquiriu uma plenitude extraordinária: a de haver sido enriquecida com o dom do Pai. Viveram a história de seu povo e de seu tempo e passaram pelos caminhos do Império Romano, sem esquecer-se do encontro mais importante e decisivo de sua vida que os havia preenchido de luz, de força e de esperança: o encontro com Jesus, sua rocha, sua paz, sua vida”.
Nesta romaria, temos Maria como a estrela que nos guia até a casa do Pai, pois ela “é a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários. Ela, da mesma forma como deu à luz ao Salvador do mundo, trouxe o Evangelho a nossa América”. Atraem-nos não somente suas graças e a ânsia de testemunhar a sua mediação em favor da humanidade e a aproximação da Mesa Eucarística. Acolhendo “o dom da fé”, estaremos fortalecidos para nossa caminhada enquanto discípulos e missionários de Cristo, privilegiados na fé, na esperança e na caridade.
Cristo é o peregrino do Pai, Aquele que assumiu nossa humanidade, caminhou entre nós e se entregou pela nossa redenção. O encontro com Cristo nos torna discípulos e, como tais, devemos ir aonde vai o mestre, peregrinar como peregrino é o mestre, descer se preciso for, como desceu o mestre. Assim compreendemos a vida cristã como uma peregrinação. Esse evento deve traduzir-se em uma vida ainda mais participativa e animada em nossas comunidades, vivenciando com alegria o nosso “ser cristão” num mundo controvertido e cheio de problemas, anunciando a esperança de que em Cristo temos uma nova vida e é possível construir um mundo novo.
Ou seja, gostaria que cada um retornasse para suas comunidades renovados e alicerçados em sua fé na caminhada como povo de Deus em marcha: “Ali, o peregrino vive a experiência de um mistério que o supera, não só da transcendência de Deus, mas também da Igreja, que transcende sua família e seu bairro. Nos santuários, muitos peregrinos tomam decisões que marcam suas vidas. As paredes dos santuários contêm muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos, que milhões poderiam contar”.
Nesse sentido, o povo santo do Rio de Janeiro se faz peregrino da Virgem Maria, para venerar e louvar a Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil! Assim, revigoramo-nos para prosseguir a caminhada como autênticos discípulos-missionários de Jesus Cristo, passando por uma sincera conversão pessoal e pastoral, conforme nos convocaram os Bispos da América Latina e Caribe reunidos naquele Santuário, para colocarmos em prática a ordem de Maria, a Virgem Aparecida: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”.

Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano do Rio de Janeiro, RJ.


OS SALMOS DAS SUBIDAS
            “Estes salmos cantam a alegria da Igreja a caminho na terra Rumo à Jerusalém celeste... Esta ascensão não se faz com os nossos pés, mas com os desejos do nosso coração...” (Santo Agostinho). Os salmos 119(120)-133(134) são chamados “Cânticos das Subidas” ou “Salmos Graduais” ou “Cânticos das Peregrinações”. Trata-se de um livreto que servia de guia aos peregrinos nas peregrinações a Jerusalém pela Páscoa, Pentecostes e Festa das Tendas (cf. Ex 23,17; Dt 16,16; 2Sm 6,2; 1 Rs 12,28.32s; 2Rs 23,1s; Is 30,29, etc). Todo judeu devia subir a Jerusalém por ocasião dessas três festas. Os mais pobres subiam apenas uma vez por ano e, em caso de grande pobreza, uma vez na vida. Porém toda a religiosidade do judeu piedoso tendia para a Cidade Santa. “Subir para Jerusalém” era o cume da experiência religiosa do povo judeu: era subir ao Templo de Deus, à Cidade Santa, era entrar em comunhão com o Senhor Deus! Subir para Jerusalém simbolizava a própria experiência de Deus que o povo de Israel fizera nos caminhos da história. E ninguém pode chegar a Jerusalém sem subir!
            Esta subida é uma saída da condição de dependência e escravidão na qual o homem se encontra para a liberdade dos filhos de Deus para bendizer o Senhor no seu Templo. Para isto Deus desceu: para fazer o seu povo subir: “Por isso desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel” (Ex 3,8). Ora, tal subida exige uma purificação radical da fé: não se trata de uma viagem turística, mas de uma peregrinação! No decorrer dessa caminhada os peregrinos, nossos antepassados, conservaram religiosamente a memória das provações e fracassos, das alegrias e vitórias, dos grandes e pequenos acontecimentos da vida de Israel a fim de que também nós pudéssemos viver uma fé verdadeira e chegar à Jerusalém celeste.
            Cada salmo gradual se apresenta como uma etapa na subida, um degrau na escada que leva a Jerusalém. Como no caso de Jacó, que do fundo da sua miséria, contemplou a escada que tocava o céu (cf. Gn 28,10-19), cada passo da caminhada para Jerusalém fazia o povo de Deus reviver, de geração em geração, o Jacó desamparado, cheio de medo, sem lugar onde repousar a cabeça. Subindo, Israel aprende, com sua história, a passar da desconfiança de Jacó... “Se Deus estiver comigo e me guardar no caminho por onde eu for, se me der pão para comer e roupas para me vestir, se eu voltar são e salvo para a casa de meu pai, então IaHWeH será meu Deus” (Gn 28,20s). ... para a confiança reconhecida, que se transforma numa proclamação de louvor e humilde gratidão: “Deus foi o meu pastor desde que eu existo até hoje (Gn 48,15)”. Eu sou indigno de todos os favores e de toda a bondade que tiveste para com teu servo. Eu não tinha senão meu cajado para atravessar este Jordão, e agora posso formar dois bandos (Gn 32,11).
            A subida é para Jerusalém, a Santa! Etimologicamente Jerusalém significa “visão das pazes”, da paz plena, transbordante – por isso no plural! É a cidade do Shalom de Deus concedido ao homem como graça e bênção. Esta é sua vocação contínua, ela é o contrário de Babel (= confusão)! Politicamente, ela é a Cidade de Davi, estando acima de todas as tribos. Representa, assim, a unidade do Povo de Deus. Religiosamente, é o centro espiritual de Israel, lá IaHWeH habita, lá está o Templo (cf. SI 78,68s; 132,13-18).
O Salmo 136(137) nos dá magnificamente uma idéia do que significa a Cidade Santa para o povo do Antigo Testamento: 

À beira dos canais de Babilônia nos sentamos e choramos com saudades de Sião; nos salgueiros que ali estavam penduramos nossas harpas. Lá, os que nos exilaram pediam canções, nossos raptores queriam alegria:
“Cantai-nos um canto de Sião!”
Como poderíamos cantar um canto de IaHWeH numa terra estrangeira? Se eu me esquecer de ti, Jerusalém, que me seque a mão direita! Que me cole a língua ao paladar, caso eu não me lembre de ti, caso eu não eleve Jerusalém ao topo da minha alegria! 

Para nós, cristãos, Jerusalém é a figura da Jerusalém celeste, a do Alto, que é livre e é nossa mãe (cf. GI 4,24-31); figura da humanidade consumada, da criação plenamente transfigurada pelo Espírito do Senhor ressuscitado; é a visão do Shalom pleno, daquele que só o Ressuscitado nos pode dar (cf. Jo 20,19). 
Jerusalém gloriosa, bendita visão de paz, de pedras vivas erguidas, por entre os astros brilhais qual noiva, de anjos cingida, que seu caminho perfaz.
Já vem do céu preparada para o festim nupcial, e ao Senhor será dada no esplendor virginal. As suas praças e muros são do mais puro metal. (Ofício da Dedicação de uma Igreja)
            Para esta Jerusalém todos caminhamos, como Jesus, que “quando se completaram os dias de sua assunção, tomou resolutamente o caminho de Jerusalém” (Lc 9,51)[1]. Os salmos graduais ajudar-nos-ão a perceber, a contemplar esta nossa subida, que é, em última análise, a nossa história, a história de nossa vida cristã, de membros do Povo de Deus: “Não podereis experimentar a verdade do que cantais se não começardes a vivê-lo. Em vão eu vo-lo pregaria, vo-lo comentaria, vo-lo traduziria em outros termos; essa palavra não entra no coração de quem não a vive. Começai por agir e compreendei o que dizemos” (Sto. Agostinho)
Que a contemplação destes salmos sagrados nos ajude, nesta Quaresma, a subir para a Santa Cidade de Deus, onde nos aguarda o Cordeiro imolado e ressuscitado, que nos plenificará com seu Espírito e nos revestirá da glória do Pai!
Côn. Henrique Soares da Costa


sexta-feira, 11 de maio de 2012


"A maternidade não é uma atividade. É uma vocação.
Um chamado a se ocupar do que é possível, confiando a Deus o impossível."
(OFMC)

FELIZ DIA DAS MÃES !
 
Maria José e Adelino.

sexta-feira, 27 de abril de 2012